CONCEITO | "Honrar (Meus) Caminhos" é uma obra original, de peça única, feita à mão pelo artista Lucas Belchior, que pensa o caminho como revolução. Através de um forte manifesto visual, a obra investiga as marcas e cicatrizes do corpo brasileiro. É um estudo estético sobre mobilidade e a urgência de nunca esquecer a nossa própria trajetória, aquilo que atravessamos, construímos e carregamos até chegar onde estamos.
Os espaços que ocupamos contam a história das nossas lutas. No Brasil, chegar e ocupar determinados lugares nunca foi apenas uma questão de vontade. Na realidade do Rio de Janeiro, para nós, corpos marginalizados, o trajeto nunca é uma linha reta - ele é construído na raça, contornando diversas barreiras estruturais.
Como ecoa na pedagogia de Paulo Freire: o horizonte não está dado, ele é conquistado através da ação revolucionária. O caminho se faz caminhando. A obra parte de uma profunda realização: o ato de chegar e ocupar espaços que historicamente não nos foram permitidos.
"HONRAR (MEUS) CAMINHOS" recusa a lógica contemporânea da pressa e do foco obsessivo apenas na linha de chegada. Arma criada para nos manipular. Afinal, existe mesmo um ponto final ou a chegada só ganha sentido por conta do nosso trajeto? A obra firma que só existe a chegada porque existe um caminho percorrido. É urgente lembrar que não precisamos de um ponto de chegada para podermos, finalmente, viver. Em seu trabalho, o artista nos convoca a entender que é no aqui e agora que construímos nossos caminhos. Não existe conquista real sem estar vulnerável à potência do presente, aproveitando todo o trilho e o que chega através dele.
A escolha das cores sob o papel opera essa síntese de forma visceral. Os tons de verde e amarelo que dominam o fundo representam a terra, a mata e o calor do solo que sustentam a caminhada brasileira. Sobre essa base como solo, a escrita "HONRAR (MEUS) CAMINHOS" explode em um vermelho denso e pulsante, simbolizando a doação do nosso próprio sangue e do suor dos nossos ancestrais. Escrever com a cor do sangue é lembrar que cada passo dado hoje foi pavimentado por quem já caminhou e resistiu por nós antes de chegarmos até aqui.
DETALHES | Feita à mão em aquarela e tinta acrílica através da técnica de monotipia em chapa de vidro, sobre papel couchê 300g com textura leve. Por se tratar de uma monotipia, esta é uma peça única e exclusiva, impossível de ser replicada identicamente. A superfície sutilmente texturizada confere elegância e materialidade à peça, valorizando a sobreposição orgânica das cores e a força gráfica do traço manual.