CONCEITO | "PEITO ABERTO" é uma obra original, feita à mão pelo artista Lucas Belchior, que nasce através da música da banda brasileira "Vanguart", trazendo à tona a vulnerabilidade como um ato de coragem, entrega e possibilidade de viver sem precisar se proteger.
No Rio de Janeiro, existe uma estranha sensação presente no corpo do carioca de estar sempre hiperalerta a tudo. O nosso corpo periférico, negro, indígena, racializado, visto como "à margem", aprende a perceber a vida com atenção plena: o movimento ao redor, o olhar do outro, a rua, o clima. A obra imagina uma possibilidade de vida onde possamos aprender a contrariar esse mecanismo de defesa que nos foi ensinado: permitir-se baixar a guarda, respirar, desejar e sentir, sem medo. Exercendo o nosso direito de fechar os olhos e abrir o peito - como uma ode à vida brasileira.
A vulnerabilidade, que nos foi ensinada como fraqueza, é o que nos permite experimentar a vida por inteiro, de forma devidamente carioca. Abrir o peito é também um ato político — uma recusa ao medo, ao controle e à necessidade de se embrutecer para existir.
A figura aparece em movimento, com o corpo exposto e os braços abertos, como quem escolhe não recuar - firmando o aprendizado revolucionário dos nossos ancestrais de sobreviver e encarar.
O amarelo que preenche o fundo é um contraponto cromático à sombra do trauma histórico abordado pelo artista. É o calor que derrete a couraça psíquica do costume de hipervigilância, é a insistência de viver muito. O brasileiro vive de mãos dadas com o excesso porque o amanhã sempre nos foi uma promessa incerta. Portanto, a exaltação da vida, pra além do que acreditam ser exagero, é um mecanismo sociológico de cura coletiva.
Ao evocar o mar da Bahia dentro do cenário carioca, trazendo a existência da nossa conexão em tempo - espaço - espiritualidade, a obra opera um resgate terapêutico e político: existe uma linha invisível que liga o asfalto carioca ao mar baiano, trazendo uma herança ancestral de quem aprendeu a transformar a luta diária em afeto, música e presença.
Abrir o peito diante do mundo é a nossa maior herança. É a nossa revolução mais bonita. Peito aberto. Corpo presente. Uma ode a estar vivo.